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A Análise Ergonômica do Trabalho nos Hospitais

              A Análise Ergonômica do Trabalho é uma análise ou um estudo profundo das condições de trabalho dentro das empresas que nós, profissionais da ergonomia, precisamos realizar. Desse modo, o ergonomista vai às empresas para realizar a AET e avaliar todas as condições de trabalho dentro dos setores, com os cargos e com as funções, e, a partir disso, emitimos os resultados da análise através do documento AET para empresa. Esse documento será composto pelo levantamento de todos os riscos ergonômicos encontrados durante a análise e por sugestões de soluções ergonômicas que o ergonomista deverá propor. Um aspecto interessante é que a AET pode ser realizada por profissionais diversos que tenham nível superior, não é exclusivo de uma graduação. O pré-requisito é que seja capacitado em ergonomia através de cursos, mentorias, treinamentos ou pós.

              Desde 3 de janeiro de 2022, a AET não é um documento obrigatório, sendo obrigatória a Avaliação Ergonômica Preliminar – AEP. Porém, a grande maioria das AEP’s geram AET’s, pois aquelas são avaliações um pouco menos profundas dos riscos e que não contemplam todas as situações de trabalho. Então é bastante comum que, após a realização da AEP, o seja realizada uma AET para ajudar a analisar e a solucionar alguns riscos, principalmente no ramo que lida com os mais variados riscos ergonômicos, como é o caso dos hospitais.

              Há vários pontos específicos em uma AET realizada num ambiente hospitalar. A dinâmica de trabalho é bastante diferente, tendo em vista que nem todos os funcionários trabalham no mesmo horário e estão espalhados por diversos setores. Esses são alguns pontos de diferenciação:

 

1. Nem sempre dá para agendar as entrevistas.

 

              Durante as entrevistas – que funcionam como verdadeiras conversas, o funcionário relata o seu dia a dia de trabalho, do começo ao fim. A partir disso, temos várias informações úteis onde o profissional de ergonomia irá atuar sobre os relatos dos funcionários. Normalmente essas entrevistas são combinadas com o gestor ou com o coordenador antes dela acontecer para escolher o dia em que a ausência daquele funcionário não irá impactar substancialmente as atividades do setor. Porém, no hospital, principalmente nas áreas de atendimento ao paciente de forma direta, não é possível. A escala de trabalho de cada profissional é diferente, então é mais difícil retirar um funcionário de um setor pois é comum acontecerem urgências médicas e aquele profissional precisa estar em atendimento.

              A melhor opção é agendar o dia e o horário que você estará no setor, e o coordenador daquele setor irá verificar o profissional que está “mais disponível” naquele momento. Não é recomendado para um profissional de ergonomia agendar um dia e horário com um funcionário específico, pois será muito provável que ele não consiga realizar a entrevista com esse profissional.

 

 

 

2. A entrevista e a coleta serão os pontos que serão mais demorados para concluir.

 

              A entrevista em hospitais demora mais do que em outras outras áreas de atuação justamente pelos motivos apontados acima. Não é incomum estar entrevistando um profissional e ele precisar sair da entrevista devido a uma emergência clínica. Eles vão tentar respeitar aquele horário de entrevista chamando outras pessoas para auxiliarem, mas nem sempre é possível, e o profissional de ergonomia terá que esperar o procedimento ser concluído para dar continuidade posteriormente.

pessoa olhando para o relógio.

              A coleta (ou seja, registro fotográfico, medição etc) também demora pois há bastante desencontros de horários e cada hospital possui a sua rotina com os pacientes. Os profissionais precisam medicar os pacientes, dar banhos, realizar curativos, colocar na poltrona, entre outras atividades ao longo do dia, e se o profissional de ergonomia não se atentar aos horários em que os manuseios dos pacientes acontecem, ele pode não conseguir fazer a coleta naquele momento, precisando postergar para o próximo turno ou dia ou solicitar para que alguém da equipe faça um vídeo do momento do manuseio do paciente (este último, caso você já tenha experiência com a AET. Se ainda não tiver, é importante visualizar presencialmente como isso ocorre). Convenhamos que é muito injusto solicitar ao profissional que ele refaça a manipulação do paciente a título de demonstração como acontece nas indústrias, por exemplo, pois o profissional já está cansado, o dia está corrido e ele tem outras atividades para fazer e – quase sempre – o paciente não se encontra em condições de ser movimentado.

Uma dica: próximo das trocas de plantão acontecem geralmente alguns manuseios de pacientes e é interessante que você visualize a dinâmica e faça registros dos manuseios. Nestes casos, pode realizar entrevistas após o período da mudança de plantão. Sempre procure se informar em quais horários isso ocorre naquele hospital. Excepcionalmente para hospitais é recomendado fazer a coleta antes da entrevista, caso aconteçam manuseio de pacientes no início do turno, em que não dê tempo de entrevistar antes das primeiras tarefas importantes do dia do profissional aconteçam.

 

3. É necessário pedir autorização para o paciente (se estiver lúcido) ou para o familiar para registrar fotos e filmagens.

 

              Nem sempre é necessário uma formalização com assinatura, sendo necessário apenas o consentimento verbal, ou gravado, a não ser que o profissional de ergonomia ou outra pessoa envolvida (como o próprio paciente) solicite. Entretanto, é imprescindível pedir a autorização antes de fazer os registros para que não gere um desconforto nos pacientes e familiares, afinal, eles precisam saber o porquê estão sendo filmados e fotografados. Inclusive, pode acontecer de alguns não permitirem. Neste caso, o ergonomista deve se dirigir a outro quarto/leito, mas a coleta não pode deixar de ser feita. Ele também pode pedir ajuda ao técnico de enfermagem que irá manusear o paciente para realizar as coletas para análise ergonômica, pois ele está com aquele paciente todos os dias e tem uma certa relação de confiança. Assim, fica mais fácil que o paciente ou os familiares concordem. E claro, sempre que possível tentar diminuir a identificação do paciente através de borrões ou tarjas, mas que não prejudique a coleta de informação (por exemplo, ocultar uma parte do manuseio porque estava tentando não gravar o rosto do paciente).

 

4. É importante se paramentar para fazer o trabalho.

 

          Não é necessário que o profissional de ergonomia leve os Equipamentos de Proteção Individual (EPI), já que cada setor do hospital possui seus EPI’s específicos, dependendo da área de contaminação e tipo de atendimento, afinal, não é porque você vai ficar poucos minutos no local e não irá tocar nos pacientes que é dispensável o uso dos EPI’s. O hospital irá fornecer os EPI’s necessários e as instruções (que muitas vezes se encontram nas portas dos setores) a respeito de quais equipamentos são necessários para entrar em determinado setor.

profissional se paramentando.

              Como pode ser observado, a AET em hospitais envolve alguns aspectos bastante particulares, que implica diretamente na gestão do tempo do profissional de ergonomia. É importante estar atento aos possíveis percalços que podem acontecer para que você esteja preparado.

Quais os principais riscos ergonômicos encontrados nos hospitais?

              Antes de tudo, é importante afirmar que não existe regra; cada hospital tem a sua especificidade, mesmo todos sendo “hospitais”. Às vezes acontece de o profissional ir em empresas do mesmo ramo, analisando o mesmo cargo e até o setor ter o mesmo nome, mas encontrar riscos diferentes. Não é possível identificar o risco de determinada função em uma empresa apenas pelo seu nome, é necessário realizar uma avaliação. Entretanto, com a recorrência de análises que o profissional faz no mesmo ramo (neste caso, em hospitais), ele pode observar que determinados riscos são mais comuns, porém, ressalto: isso não dispensa a análise. É importante ter em mente que cada estabelecimento é único, apesar de estarem em um mesmo ramo.

              Em razão da estrutura encontrada nos hospitais ser semelhante (equipamentos de suporte à vida, monitores cardíacos, telefones, macas, poltronas, entre outros), há alguns riscos que podem ser encontrados em vários hospitais, que são:

    – Mobiliário sem regulagens. É bastante comum encontrar mobiliários sem regulagens de altura, inclinação, etc. Em outros ramos, isso não representa um risco tão considerável, mas nos hospitais é bastante considerável, pois dificulta a mobilidade dos pacientes, por exemplo. Imagine o trabalho para locomover um paciente com sobrepeso de um leito com 80 cm para uma maca de 100 cm? O esforço será imenso para o deslocamento vertical desses 20 cm de diferença.

    – Manuseio de pacientes. O manuseio de pacientes se trata de um manuseio de peso, que por si só é um risco ergonômico quando não tem equipamentos de auxílio, tendo em vista que os pesos dos pacientes variam (há pacientes com menor peso, como também com sobrepeso). Para eliminar esse risco é orientado a utilização de equipamentos de auxílio (cegonha, lençol de auto-deslizamento, skate, guincho de pacientes, etc.). Caso o local não tenha recursos ou decida não investir nesses equipamentos, só será possível reduzir os riscos através dos treinamentos, mas a médio prazo o custo com atestados, afastamentos e INSS estarão ‘batendo à porta’.

    – Flexão de coluna frequente. Esse risco é totalmente passível de ser eliminado com treinamento e monitoramento dos funcionários, para que adotem a prática de dobrar os joelhos ao invés de dobrar a coluna. Inclusive, a CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) do hospital pode contribuir também para monitorar e reforçar a importância dessa prática aos funcionários.

    – Trabalho noturno. Todo o trabalho noturno automaticamente é um risco ergonômico, não há o que ser feito em relação a isso, e os hospitais não têm como sanar esse risco pois recebem pacientes 24h por dia. A gestão do hospital deve analisar os profissionais, verificando aqueles que têm um perfil de trabalho mais noturno ou mais diurno.

    – Ruído. O ruído encontrado nos hospitais é resultante de muitos alertas. São várias telas mostrando informações de cada paciente, alertas solicitando a presença de um profissional, aviso de prescrição de medicamento, campainha do paciente, entre vários outros. Uma alternativa é tentar reduzir o volume de todos os sinais e avisos para estar no máximo em 65 dB.

    – A área psicossocial-cognitiva. O estresse, trabalho com difícil comunicação, estresse por alta demanda de trabalho e pouca equipe, excesso de trabalho com pouco tempo para resolver (alta demanda temporal), demandas emocionais etc. Todas essas situações citadas compõem o risco voltado à área psicossocial-cognitiva.

    – O layout. Algumas vezes ocorre que no layout do hospital não há espaço suficiente para tudo que acontece. Geralmente os hospitais mais antigos que foram construídos antes de terem normativas sobre o assunto – normas de acessibilidade, normas de ergonomia, normas de espaçamento – têm pouco espaço, e isso impacta diretamente nos riscos ergonômicos, principalmente no manuseio de pacientes. Sem espaço, não é possível colocar equipamento de auxílio para auxiliar o trabalhador no manuseio, nem um transfer, muito menos uma cadeira de rodas, por exemplo. Caso seja colocada uma cadeira de rodas, o profissional não consegue girar 360º para transferir o paciente, etc.

              O problema estrutural é o mais difícil de ser solucionado, porque é muito difícil o hospital fazer reparos, como quebrar uma parede ou até mesmo aumentar o tamanho do hospital sem gerar um alto custo. Há terreno suficiente para expansão? Será que o hospital pode parar para realizar uma obra? Então é uma parte bastante delicada.

              Logo, são diversos os riscos a serem pontuados pelo profissional da ergonomia. Após o levantamento desses riscos, o profissional de ergonomia deve propor soluções ergonômicas para mitigar ou minimizar esses riscos. Nesse ponto, é feito um plano de ação juntamente com o cliente para tratar os riscos ergonômicos encontrados na AET.

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© 2020 Soluções Ergonômicas – CNPJ: 30.031.016/0001-22

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