Há vários pontos específicos em uma AET realizada num ambiente hospitalar. A dinâmica de trabalho é bastante diferente, tendo em vista que nem todos os funcionários trabalham no mesmo horário e estão espalhados por diversos setores. Esses são alguns pontos de diferenciação:
1- Nem sempre dá para agendar as entrevistas.
Durante as entrevistas – que funcionam como verdadeiras conversas, o funcionário relata o seu dia a dia de trabalho, do começo ao fim. A partir disso, temos várias informações úteis onde o profissional de ergonomia irá atuar sobre os relatos dos funcionários. Normalmente essas entrevistas são combinadas com o gestor ou com o coordenador antes dela acontecer para escolher o dia em que a ausência daquele funcionário não irá impactar substancialmente as atividades do setor. Porém, no hospital, principalmente nas áreas de atendimento ao paciente de forma direta, não é possível. A escala de trabalho de cada profissional é diferente, então é mais difícil retirar um funcionário de um setor pois é comum acontecerem urgências médicas e aquele profissional precisa estar em atendimento.
A melhor opção é agendar o dia e o horário que você estará no setor, e o coordenador daquele setor irá verificar o profissional que está “mais disponível” naquele momento. Não é recomendado para um profissional de ergonomia agendar um dia e horário com um um funcionário específico, pois será muito provável que ele não consiga realizar a entrevista com esse profissional.
2 – A entrevista e a coleta serão os pontos que serão mais demorados para concluir.
A entrevista em hospitais demora mais do que em outras outras áreas de atuação justamente pelos motivos apontados acima. Não é incomum estar entrevistando um profissional e ele precisar sair da entrevista devido a uma emergência clínica. Eles vão tentar respeitar aquele horário de entrevista chamando outras pessoas para auxiliarem, mas nem sempre é possível, e o profissional de ergonomia terá que esperar o procedimento ser concluído para dar continuidade posteriormente.
A coleta (ou seja, registro fotográfico, medição etc) também demora pois há bastante desencontros de
horários e cada hospital possui a sua rotina com os pacientes. Os profissionais precisam medicar os pacientes, dar banhos, realizar curativos, colocar na poltrona, entre outras atividades ao longo do dia, e se o profissional de ergonomia não se atentar aos horários em que os manuseios dos pacientes acontecem, ele pode não conseguir fazer a coleta naquele momento, precisando postergar para o próximo turno ou dia ou solicitar para que alguém da equipe faça um vídeo do momento do manuseio do paciente (este último, caso você já tenha experiência com a AET. Se ainda não tiver, é importante visualizar presencialmente como isso ocorre). Convenhamos que é muito injusto solicitar ao profissional que ele refaça a manipulação do paciente a título de demonstração como acontece nas indústrias, por exemplo, pois o profissional já está cansado, o dia está corrido e ele tem outras atividades para fazer e – quase sempre – o paciente não se encontra em condições de ser movimentado.
Uma dica: próximo das trocas de plantão acontecem geralmente alguns manuseios de pacientes e é interessante que você visualize a dinâmica e faça registros dos manuseios. Nestes casos, pode realizar entrevistas após o período da mudança de plantão. Sempre procure se informar em quais horários isso ocorre naquele hospital. Excepcionalmente para hospitais é recomendado fazer a coleta antes da entrevista, caso aconteçam manuseio de pacientes no início do turno, em que não dê tempo de entrevistar antes das primeiras tarefas importantes do dia do profissional aconteçam.
3. É necessário pedir autorização para o paciente (se estiver lúcido) ou para o familiar para registrar fotos e filmagens.
Nem sempre é necessário uma formalização com assinatura, sendo necessário apenas o consentimento verbal, ou gravado, a não ser que o profissional de ergonomia ou outra pessoa envolvida (como o próprio paciente) solicite. Entretanto, é imprescindível pedir a autorização antes de fazer os registros para que não gere um desconforto nos pacientes e familiares, afinal, eles precisam saber o porquê estão sendo filmados e fotografados. Inclusive, pode acontecer de alguns não permitirem. Neste caso, o ergonomista deve se dirigir a outro quarto/leito, mas a coleta não pode deixar de ser feita. Ele também pode pedir ajuda ao técnico de enfermagem que irá manusear o paciente para realizar as coletas para análise ergonômica, pois ele está com aquele paciente todos os dias e tem uma certa relação de confiança. Assim, fica mais fácil que o paciente ou os familiares concordem. E claro, sempre que possível tentar diminuir a identificação do paciente através de borrões ou tarjas, mas que não prejudique a coleta de informação (por exemplo, ocultar uma parte do manuseio porque estava tentando não gravar o rosto do paciente).
4. É importante se paramentar para fazer o trabalho.
Não é necessário que o profissional de ergonomia leve os Equipamentos de Proteção Individual (EPI), já que cada setor do hospital possui seus EPI’s específicos, dependendo da área de contaminação e tipo de atendimento, afinal, não é porque você vai ficar poucos minutos no local e não irá tocar nos pacientes que é dispensável o uso dos EPI’s. O hospital irá fornecer os EPI’s necessários e as instruções (que muitas vezes se encontram nas portas dos setores) a respeito de quais equipamentos são necessários para entrar em determinado setor.

